Motivação inicial: governar é só abrir estradas?

 

Os caminhos e o Tropeirismo

O Paraná, desde o começo de sua história, teve seu território cortado por caminhos, ou trilhas utilizadas por indígenas, em seus deslocamentos. Os mais famosos foram:

 

Caminho do Peabiru

Nome dado pelos indígenas à transposição transcontinental do Peru para o Brasil, até atingir São Vicente. Partindo de Cananeia, no litoral paulista, atravessa a Serra do Mar, penetrando no rio Ribeira, transpõe os Campos Gerais pelos rios Tibagi, Ivai e Piquiri; chegando a Sete Quedas, atravessa o rio Paraná, penetrando em território paraguaio e após vencer a cordilheira dos Andes, alcança o litoral peruano.

Muitos aventureiros se utilizaram desses caminhos, dentre eles Cabeza de Vaca, o descobridor das Cataratas do Iguaçu. Os jesuítas do Paraná o denominaram São Tomé, que na linguagem indígena passou a se chamar Pai Zumé.

 

Caminho da Graciosa

Inicialmente utilizado pelos índios que desciam do planalto em direção ao litoral, o mesmo ocorrendo em sentido inverso, pelos brancos que subiam trazendo as mercadorias necessárias à sobrevivência da região curitibana.

O transporte pela utilização de muares era uma reivindicação antiga, e muitos contribuíram para que isso ocorresse: Ouvidor Pardinho, sargento Simão Cardoso, Tenente Manuel Teixeira. As vantagens auferidas por Antonina em detrimento de Morretes prejudicaram bastante a melhoria da estrada, que passava longe daquela cidade.

Apesar de tudo, em 1808 a estrada estava aberta, porém só concluída para o tráfego em rodas em 1873, após os apelos de Zacarias de Goes e Vasconcelos para que se ultimassem as providências à sua implementação.

 

Caminho de Itupava

Avançando pela Borda do Campo, atinge-se rapidamente as escarpas do mar, num prazo curto de dois dias, enquanto por Graciosa demorava quatro dias. Por isso, a preferência dos tropeiros por esse caminho, cuja descoberta se deu por conta da perseguição a uma anta, segundo a tradição.

Afonso Botelho, em 1772, necessitando transportar para o planalto dois pesados canhões, procedeu a abertura definitiva desses caminhos, até que a estrada da Graciosa ficasse pronta. Como seu trajeto terminava às margens do rio Nhundiaquara, no lugar chamado Porto de Cima, havia a necessidade de utilizar-se canoas para o transporte fluvial até Morretes e Paranaguá, com o que se criou um serviço permanente chamado Contrato das Passagens do Cubatão.

 

Caminho do Arraial

Com início em São José dos Pinhais, foi obra de faiscadores de ouro. Bastante perigosa, na descida da serra, foi muito utilizada pelos moradores da Lapa e de São José dos Pinhais.

 

Estrada da Mata

Ligando os Campos Gerais com São Paulo, esta estrada vinha desde Viamão, no Rio Grande do Sul, até atingir a tradicional feira de animais em Sorocaba. Nos séculos XVIII e XIX seu tráfego foi bastante intenso, com o transporte de gado e muares, com os tropeiros passando por Rio Negro, Lapa, Palmeira, Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Jaguariaiva. Curitiba foi um centro que lucrou muito com a estrada da mata, por estar no entroncamento com o litoral, facilitando o comércio com os tropeiros.

 

O Tropeiro e o Tropeirismo

Sob a liderança de pessoas abastadas, o tropeirismo exigia grandes gastos na manutenção das tropas. Foram grandes tropeiros no Paraná: Barão de Tibagi (José Caetano de Oliveira), Barão dos Campos Gerais ( Coronel David dos Santos Pacheco), Coronel Joaquim Rezende de Lacerda, Francisco Paula e Silva Gomes, um dos arautos da emancipação da 5ª Comarca. De perfil colonizador, o tropeiro era também o transmissor das notícias e intermediário de muitos negócios.

A tropa era assim o veículo adequado à época, face as dificuldades de estradas e transposição de longas distâncias. Mesmo assim, Infestado de dificuldades, cumpriu importante etapa no desenvolvimento regional.

Igualmente, o contacto periódico dos gaúchos com o povo de São Paulo impediu que o Rio Grande do Sul fosse absorvido pela cultura castelhana. Devemos a eles a vulgarização entre nós de muitos termos da região: churrasco, chimango, charque, rabicho, arroio, bombacha, rincão, cochilha, estância, etc.

 

Material escrito por Antônio Celso Mendes, da cadeira 34, baseado no livro de Ruy Christovam Wachowicz.