A Academia Paranaense de Letras nasceu em 1936, fundada por membros do Centro de Letras do Paraná e da extinta Academia de Letras do Paraná. Foi inspirada pela Academia Brasileira de Letras, que por sua vez seguiu os parâmetros da Academia Francesa: 40 membros, cada um ocupando uma cadeira, numeradas de 1 a 40, eleitos de maneira vitalícia. A composição da APL, em seus primórdios, foi objeto de diversas controvérsias. A posição das cadeiras foi modificada em 1940, o que levou alguns escritores falecidos antes de 1936 a constarem como fundadores ou primeiros ocupantes – casos de Rocha Pombo, Moysés Marcondes e Nestor Victor (vide Seção História, conforme Valério Hoerner Júnior).

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A exemplo da Academia Brasileira de Letras, a APL também é composta por escritores, escritoras e expoentes da cultura. A exigência de obra publicada deve ser cumprida por todos. As especialidades dos acadêmicos e acadêmicas enfeixam amplas categorias, como as de romancistas, poetas, contistas, cronistas, historiadores, críticos (literários, teatrais, de artes visuais), economistas, filólogos, filósofos, antropólogos, educadores, compositores, juristas, cientistas e trovadores.

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De acordo com o modelo masculino então vigente, a APL foi fundada seguindo o padrão da Academia Brasileira de Letras, vedada à participação feminina. Com a alteração estatutária aprovada no início da década de 1990, a entrada das mulheres passou a ser permitida. A pioneira foi Pompília Lopes dos Santos, seguida por Helena Kolody. Desde então, o número de escritoras na APL tem aumentado de forma considerável: entre os últimos quatro membros a tomarem posse, as mulheres responderam por 50%, com Luci Collin e Etel Frota.

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Além da categoria de Membros Efetivos, os Estatutos da APL possuem as classes de Membros Honorários, Beneméritos e Correspondentes. A partir de 2017 foram nomeados os primeiros Honorários e Beneméritos, em sessão solene realizada no Auditório da Fecomércio Paraná. Receberam seus diplomas os Membros Honorários Ennio Marques Ferreira, Henriqueta Penido Monteiro Garcez Duarte e Orlando Soares Carbonar. Nas mesma Sessão, foram diplomados os Beneméritos Carlos Henrique Sá de Ferrante (Caíque Ferrante) e Luiz Renato Pedroso.

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Em 13 de dezembro de 2018, a Academia concedeu, de maneira inédita, o título de Sócio Honorário, em caráter póstumo, ao escritor Ernani Reichmann, falecido em 1984. A concessão do título foi aprovada por unanimidade dos acadêmicos, em vista da relevância da obra de Reichmann. O diploma foi entregue às suas filhas, em sessão na qual estiveram presentes também seu genro e netos.

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A categoria de Membro Correspondente já teve diversos componentes, em épocas remotas. O atual entendimento da Academia é de que a escolha do Membro Correspondente deve ser prerrogativa da própria Academia, não se aceitando oferecimentos de interessados.

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Ao todo, entre patronos, membros efetivos, honorários e beneméritos, a Academia Paranaense de Letras já teve 220 componentes. Não há registro do número de correspondentes.

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No final da década de 1980 a Academia atravessou séria crise, que culminou com a renúncia do então presidente Vasco Taborda e a eleição de Felício Raitani para o cargo – em nome do grupo de renovação, composto por Túlio Vargas, José Carlos Veiga Lopes, Valério Hoerner Júnior e Lauro Grein Filho, além do próprio Raitani. A partir de então, foi iniciado um movimento pela recuperação da imagem da APL, com a eleição de nomes como os de Samuel Guimarães da Costa (jornalista de larga experiência e respeitabilidade) e René Ariel Dotti (advogado de renome, ex-jornalista ligado ao movimento cultural curitibano, cronista e ex-Secretário Estadual de Cultura).

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Em sua história a Academia Paranaense de Letras teve três presidentes com longos períodos no cargo. Oscar Martins Gomes dirigia a entidade durante 18 anos, em dois períodos entre os aos 1940 e 1960. Túlio Vargas foi presidente em sucessivos mandados durante 14 anos. O recorde pertence a Vasco Taborda, que exerceu a presidência entre 1970 e 1990. Hoje os Estatutos limitam o exercício da presidência a quatro anos, considerando dois mandatos de dois anos cada.

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A Biobibliografia da APL traz a história da entidade, com verbetes para cada um de seus componentes. A primeira edição data de 1996, quando a Academia comemorou 60 anos (ver seção História). Foi escrita por Túlio Vargas, Valério Hoerner Júnior e Wilson Bóia, que assinaram os verbetes. Valério Hoerner escreveu a introdução histórica e Wilson Bóia, um pesquisador inscansável, esquadrinhou os arquivos da Biblioteca Pública do Paraná e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná para levantar a vida e a obra da maioria dos acadêmicos. Bóia, carioca, médico e químico, era oficial-médico do Exército. Antes de mudar-se para Curitiba, viveu no Ceará, onde também se destacou pela vocação de pesquisador (ver Cadeira nº 26 na relação de Acadêmicos).

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Apesar da longa pesquisa realizada pelos autores da Biobibliografia, duas lacunas ainda não puderam ser preenchidas. O patrono da Cadeira nº 7, Bento Fernandes de Barros, que exerceu inúmeros cargos em diversos estados brasileiros – foi inclusive desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná – não tem fotografia conhecida. Por esta razão, a foto que deveria encimar sua biobibliografia traz uma reprodução da placa da rua em sua homenagem, no bairro Alto da XV, em Curitiba. Já do Fundador da Cadeira nº 31, Helvídio Silva, que a partir de 1937 trocou o Paraná pelo Rio de Janeiro, não se sabe data e local de falecimento. Em seu verbete esta informação foi substituída por um ponto de interrogação.

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Em 1991, por iniciativa de Valério Hoerner Filho, e conforme decisão de Assembleia Geral Extraordinária, então secretário-geral da APL, foi dada posse post mortem ao escritor, ex-deputado federal, ex-secretário da Educação e Cultura e da Agricultura, Newton Carneiro, que apenas de eleito para a Cadeira nº 3, não havia sido empossado. Sua cadeira ficou vaga por cinco anos, até a eleição de René Dotti, em 1992.

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A segunda edição da Biobibliografia saiu em 2001, ainda assinada e atualizada pelos três autores originais. Com o afastamento de Wilson Bóia, vítima de grave doença, Ernani Buchmann o substituiu para a edição de 2006, que contou também com a participação de Albino Freire. O mesmo Buchmann encarregou-se da edição de 2011. Para a mais recente publicação, de 2016, Valério Hoerner realizou cuidadosa revisão do texto e das informações. Esta versão continua válida, à disposição dos leitores, gratuitamente, na Biblioteca Norton Macedo, localizada no Sesc da Esquina, em Curitiba.

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Para ingressar na Academia Paranaense de Letras não é necessário que o pretendente seja paranaense de nascimento. A exigência é de que more no Paraná há no mínimo dez anos quando de sua candidatura. Além disso, é necessário que apresente um ofício dirigido ao presidente da instituição declarando-se candidato e junte exemplar de suas obras e currículo que comprove sua trajetória. Antes de enfrentar o voto secreto, a Comissão de Análise de Candidaturas emite parecer atestando sua qualificação para concorrer a uma das cadeiras.

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Para ser eleito o candidato deve receber o mínimo de 50% dos votos válidos. Apenas em uma ocasião houve necessidade da realização de 2º Turno. Em 2009, três candidatas concorreram à Cadeira nº 37: Alzeli Bassetti, Clotilde Germiniani e Liamir Hauer. As duas últimas disputaram o 2º Turno 30 dias depois da primeira votação, com a vitória de Clotilde Germiniani.

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Em agosto de 2018 os dois candidatos à mesma Cadeira nº 37, na sucessão de Clotilde, foram derrotados por um grande número de votos nulos e brancos. Novo período de inscrições foi aberto, resultando na eleição de José Pio Martins.

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Em poucas oportunidades a Academia Paranaense de Letras teve todas as suas cadeiras preenchidas. Nas últimas décadas apenas em duas ocasiões isso ocorreu. Durante 72 horas, entre 4 de abril de 2013, quando Guido Viaro tomou posse, e 7 de abril do mesmo ano, quando Alceo Bocchino faleceu, e desde 26 de novembro de 2018, quando José Pio Martins foi empossado.

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A APL vagou por diversos endereços, sempre de maneira provisória. Foi abrigada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, em sua sede na Rua José Loureiro, onde encontra-se localizada a Biblioteca Paranista, originária da Academia. Durante muito tempo utilizou o endereço do Centro de Letras do Paraná, na Rua Fernando Moreira. Já na atual década, durante a gestão de Chloris Casagrande Justen, também presidente do Centro Paranaense Feminino de Cultura (Rua Visconde do Rio Branco), teve lá a sua sede oficial. Hoje, utiliza o endereço da sua biblioteca, no Sesc da Esquina, também rua Visconde do Rio Branco, há 50 metros do Centro de Letras.

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Apenas em 2014 a Academia recebeu um imóvel para instalar sua sede. Por lei estadual, foi cedido o imóvel conhecido como Belvedere, localizado na Praça João Cândido, no Setor Histórico. Considerado unidade especial de preservação em 2016, sua restauração vem sendo patrocinada pela Prefeitura de Curitiba, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2019.

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A convivência entre a APL e o Centro de Letras do Paraná, expressa ao longo dos anos inclusive no compartilhamento do mesmo endereço, fez com que um grande acervo de livros tivesse sido cedido ao Centro pelo então presidente Túlio Vargas. Entre eles, os que compunham a biblioteca do primeiro presidente da Academia, Ulysses Vieira, originalmente doados à Academia. O Centro de Letras conserva também o piano doado por Ulysses Vieira na mesma ocasião. A peça irá compor o mobiliário da nova sede da APL, no Belvedere da Praça João Cândido.

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Muitos componentes da APL exerceram cargos públicos, a exemplo de Dr. Pedrosa (Presidente da Província), Bento Munhoz da Rocha Netto (Governador do Estado), Flávio Guimarães, Arthur Santos e Léo de Almeida Neves (Senadores), Newton Carneiro, Manoel de Oliveira Franco Sobrinho e Túlio Vargas (Deputados Federais), Arthur Franco e Belmiro Castor (Secretários de Estado), entre outros. No entanto, a atual composição da Academia estabelece um recorde, com quatro de seus membros eleitos para cargos majoritários: Darci Piana é vice-governador, Rafael Greca de Macedo é prefeito de Curitiba e Oriovisto Guimarães e Flávio Arns, Senadores da República.

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De todos os membros da Academia, um de seus fundadores, o curitibano João Pamphilo d’Assumpção (Cadeira nº 7), destacou-se por ter sido fundador e primeiro presidente do Instituto dos Advogados do Paraná e, 15 anos mais tarde, fundador e primeiro presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Paraná. Foi também presidente do Centro de Letras do Paraná e da Associação Comercial do Paraná, além de fundador da Universidade do Paraná em 1912, ao lado de Victor Ferreira do Amaral e de Nilo Cairo, entre outros. Pamphilo, apesar de todas as suas qualificações, nos últimos anos de vida foi socorrido pela OAB PR para sobreviver. Desprovido de ambições materiais, chegou a solicitar seu desligamento da APL, por não ter condições de pagar sua anuidade. Sua retirada por negada pela Academia, não só por contrariar os estatutos. João Pamphilo d’Assumpção é um patrimônio da cultura paranaense. Com vocação para exercer a presidência de diversas entidades, é curioso que não tenha sido presidente da Academia.

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Três acadêmicos ultrapassaram a marca dos 100 anos de idade. A recordista é Flora Munhoz da Rocha (Cadeira nº 10), que faleceu aos 103 anos e 53 dias. Na mesma cadeira, Arthur Franco chegou aos 103 anos e 28 dias. Valfrido Pilotto chegou aos 102 anos, 10 meses e 17 dias.

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O decano da Academia, na sua composição atual, é João Manuel Simões, membro desde 1971. Ingressou na entidade aos 32 anos, o mais jovem acadêmico da APL em todos os tempos. Valfrido Pilotto, que participou da fundação da Academia, tinha 33 anos à época.

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Chloris Casagrande Justen, nascida em 1923, é a componente da Academia com mais idade, seguida de Eduardo Rocha Virmond, Ernani Straube e Rui Cavallin Pinto (todos nascidos em 1929).

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Os mais jovens são Marcio Renato dos Santos (1974), Guido Viaro (1965) e Luci Collin (1964).

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Caso houvesse ingressado na Academia Paranaense de Letras, Pierre Clostermann teria dado dimensão internacional à entidade. Nascido em Curitiba em 1921, filho de um oficial do exército francês, Clostermann viveu em Curitiba até o início da adolescência, tendo estudado no Ginásio Paranaense. Com a transferência da família para o Rio de Janeiro, o jovem Pierre tirou brevê de piloto no Aero-Clube do Brasil. Estava estudando em San Diego, na Califórnia, quando eclodiu a 2ª Guerra. Obedecendo a instruções de seu pai, engajou-se na Força Aérea França Livre (por coincidência, no Esquadrão Alsace, região de origem da sua família), mais tarde incorporado pela RAF (Royal Air Force, a força aérea inglesa). Foi o único brasileiro a voar sobre o Canal da Mancha no Dia D, a invasão da Europa continental pelos aliados. Considerado um ás da aviação, recebeu a Legião de Honra francesa, a Silver Star inglesa, a Distinguished Service Cross norte-americana e a Medalha Santos Dumont brasileira. Desfilou em carro aberto pelas ruas de Paris, ao lado do General De Gaulle. Depois da guerra, iniciou carreira como escritor. Seu livro O Grande Circo, lançado em 1948, foi best-seller internacional, traduzido para diversos idiomas. Foi deputado da Assembleia francesa em sucessivos mandatos. Depois de fazer carreira como executivo de empresas aeronáuticas, faleceu na França em 2006. Clostermann foi um dos seis pilotos nascidos em Curitiba a lutar na 2ª Guerra Mundial e o único a deixar obra escrita. (Os demais foram Cosme Gomm, na RAF; Egon Albrecht, Luftwaffe; Frederick Tate, RAF; Percival Gomm – irmão de Cosme – na Royal Canadian Air Force; e Theobaldo Kopp, na FAB. Os dois primeiros faleceram em combate).

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Alberto Cardoso, nascido em Morretes em 1913, conhecido pelos amigos como Bardo, era poeta e, mais que isso, declamador. Depois de fazer carreira como servidor da Aeronáutica, sua devoção à boêmia o levou a abrir um bar nos anos 1980, em Curitiba, a que chamou, com propriedade de Bardo Cardoso. Publicou Poenau (1986) e Poeferia (1991). Em suas andanças, dirigiu a Casa do Poeta de São Paulo e a sua congênere de Curitiba. Helena Kolody escreveu que o Bardo era “um marinheiro de lembranças, levando-nos ao paraíso morretense aprisionado na sensibilidade de um anjo das águas, de um inocente pescador mirim que pescava seus próprios sonhos”. Em publicações na internet consta que foi membro honorário da APL. Não há registros da concessão dessa honraria, nem testemunhos de acadêmicos que comprovem a alegação. Cardoso faleceu há muitos anos, em data para a qual também não se encontrou confirmação.

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Dezenas de autores paranaenses, todos já falecidos, não demonstraram interesse em participar da APL, por diversos motivos: porque achavam que a entidade não os representava (por motivos estéticos, ideológicos ou por diferenças pessoais com acadêmicos), por proibição estatutária (caso da presença feminina), por viver longe do Paraná, por timidez do escritor ou por desinteresse da própria Academia em estimular possíveis candidaturas. Sem esquecer que o limite de 40 membros sempre se mostrou um permanente limitador. Entre esses, selecionamos dezenas de nomes que fizeram parte da vida científica e cultural do Paraná, sem passar pela nossa instituição. Exceto Júlia Wanderley, autora de artigos e textos diversos, mas sem obra em volume, os demais tiveram livros publicados. Outros nomes podem ser sugeridos.

Adalice Araújo (1931-2012) – Nascida em Ponta Grossa, era considerada uma das maiores críticas de arte do país, formada em Belas Artes e especialização na Itália. Passou a vida dedicando-se a preparar o Dicionário de Artes Plásticas do Paraná, obra monumental enfim publicada em 2006. Foi também poeta e cronista.

Altiva Pilatti Balhana (1929-2009) – Historiadora, bacharel e doutora pela UFPR, foi professora Titular da mesma universidade. Modernizou o estudo e o ensino de História. Era especialista na história da colonização italiana no Paraná. Escreveu diversas obras em parceria com Cecília Westphalen, sua colega de cátedra.

Amilcar Gigante (1939-208) – O médico Amílcar Goyamex Gigante era natural de Pelotas (RS), onde voltou a se radicar depois de ser perseguido no Paraná por questões ideológicas. Foi professor da Faculdade de Medicina da UFPR e, mais tarde, reitor da Universidade Federal de Pelotas. Deixou a obra O que é Remédio, editada pela Ed. Brasiliense.

Anita Philipowski (1886-1967) – Natural de Ponta Grossa, onde sempre viveu, era filha de um engenheiro austríaco que lutou na guerra franco-prussiana. Foi contista, cronista e poeta. Os poentes da Minha Terra é seu poema mais conhecido, publicado em 1936. Já os originais de um livro de contos foram inutilizados pelo editor.

Assionara Souza (1969-2018) – Nascida em Caicó (RN), viveu em Curitiba desde a infância. Sua obra mais conhecida é Alice Não é um Cachimbo (2005). Escreveu a peça As Mulheres de Antes e idealizou o projeto Translações: literatura em trânsito, para divulgar a produção literária paranaense. Era formada e pós-graduada em Letras pela UFPR.

Barreto Coutinho (1893-1975) – Nascido no interior de Pernambuco, estudou Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro. Foi médico, poeta e escritor satírico. Radicou-se em Curitiba para exercer a profissão, deixando dois livros de poesia e um de memórias, publicado em 1959. Foi membro de diversas entidades culturais paranaenses.

Benjamin Lins (1876-1951) – Nascido em João Pessoa (PB), migrou para o Paraná em 1907. Fundou em 1919, com De Plácido e Silva, a Gazeta do Povo e, depois, o concorrente O Dia. Foi fundador da Universidade do Paraná, professor da Faculdade de Direito, Diretor Geral de Educação do PR e a Procuradoria Regional da República. Escreveu, além de centenas de artigos, o livro Pequenas e Grandes Histórias de quem tem o que dizer.

Brasil Pinheiro Machado (1907-1997) – Advogado, natural de Ponta Grossa, nomeado Interventor Federal do Paraná em 1946. Foi também Procurador Geral do Estado, Deputado Estadual e Federal, Conselheiro e presidente do Tribunal de Contas e Vice-reitor da UFPR, da qual era professor. Entre outras, publicou as obras Poemas seguidos de dois Ensaios e Três Cadernos de História: ideias e reflexões.

Carlos Alberto Pessoa (Nego Pessoa) (1942-2017) – De Irati, onde nasceu, tornou-se um personagem de Curitiba. Foi cronista de jornais, revistas, rádios e TVs. Apaixonado por futebol, deixou diversas obras sobre o tema: era um apaixonado torcedor do Fluminense. Publicou também Modos & Modas e Travessas & Travessias, este último em parceria, sobre as ruas em que circulava a pé todos os dias.

Cecília Westphalen (1927-2004) – Formada em História, Geografia e Direito, foi professora catedrática da UFPR. Cursou graduação em Filosofia na Alemanha e especializou-se em História Moderna na França. Deixou mais de 200 trabalhos publicados, grande parte em parceria com Altiva Pilatti Balhana.

Cecim Calixto (1926-2008) – Filho de libaneses, nasceu em Pinhalão no norte paranaense. Depois de Ninfas (1951), levou mais de 40 anos para voltar a publicar seus poemas em livro. Venceu o Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody e foi membro da União Nacional do Trovadores, do Centro de Letras do Paraná e da Academia Paranaense da Poesia.

Céres de Ferrante (1928-2016) – Curitibana, filha de Salvador de Ferrante, era professora e poeta. Foi membro do Centro Paranaense Feminino de Cultura, do Centro de Letras e da Academia Feminina de Letras do Paraná. Publicou os livros Processos que Auxiliam a Alfabetização, Preparando os Sabidões e A Nossa Rua das Flores (em parceria com Rosy de Sá Cardoso)

César Lattes (1924-2005) – Natural de Curitiba, físico de projeção internacional. Seu trabalho foi essencial para o desenvolvimento da física atômica, tendo sido co-descobridor do Méson pi, que deu o prêmio Nobel a Cecil Powell em 1950. Entre as honrarias que recebeu, estão a Medalha Santos Dumont e o Prêmio Eistein, este concedido pela Academia Brasileira de Ciências.

David Carneiro (1904-1990) – Curitibano, foi historiador, poeta e escritor, seguidor do Positivismo. Foi o criador do museu que levava seu nome, hoje em parte incorporado pelo Museu Paranaense. Escreveu O Cerco da Lapa: antecedentes e consequências da Revolução Federalista no Paraná, entre mais de 70 livros, a maioria sobre a História do Paraná.

De Plácido e Silva (1892-1963) – Oscar Joseph de Plácido e Silva era alagoano de Marechal Deodoro. Foi advogado, jornalista e escritor. Radicado em Curitiba, fundou a Gazeta do Povo e foi editor da Editora Guaíra. Publicou obras jurídicas, o volume de contos Histórias de Macambira (1938) e o romance Ódios da Cidade (1940).

Eddy Franciosi (1930-1990) – Era jornalista, dramaturgo e crítico teatral. Também diretor de teatro, foi um dos mais conhecidos colunistas sociais curitibanos. Trabalhou muito tempo na Federação das Indústrias. Sua obra Curitiba e Sua História, uma crônica detalhada da cidade, foi editada postumamente pela Editora Esplendor.

Edson Vidente (Jerê) – (1958-1995). Jerê viveu menos de 40 anos, mas foi jornalista em tempo integral. Em Londrina, cidade em que nasceu, trabalhou na Folha de Londrina e, depois, em A Notícia de Joinville, onde faleceu. Ficou conhecido pela divertida coluna Baixa Sociedade, que deu origem ao livro do mesmo nome, publicado postumamente em 2002.

Elane Tomich (1949-2018) – Mineira de Belho Horizonte, psicóloga formada pela PUCPR, professora universitária e poeta, viveu 30 anos em Curitiba. Mestre em Psicologia social pela PUCSP, sua tese de mestrado sobre a identidade do imigrante polonês no sul do Brasil foi publicada na Coleção Farol do Saber, em 1995, sob o título A Trajetória do Sol.

Erasmo Pilotto (1910-1992) – Nascido em Rebouças, a partir dos 17 foi professor, tendo introduzido os princípios da Escola Nova no Paraná. Foi diretor da revista Joaquim em seus primórdios e cronista. Publicou obras sobre educação, sua especialidade, e perfis de Dario Vellozo (1969) e Mallarmé (1973).

Foed Castro Chamma (1927-2010) – Poeta iratiense neo-modernista, radicado no Rio de Janeiro a partir de 1941. Foi também tradutor. Seu livro de estreia, Melodias de Estio, é de 1952. Publicou ainda Iniciação ao Sonho, Labirinto, Ir A Ti e Sons de Ferraria, entre outras obras. É dele o mais longo poema em língua portuguesa, Pedras da Transmutação, com dez mil versos.

Frederico Waldemar Lange (1911-1988) – Geólogo e paleontólogo, nascido em Ponta Grossa, era diplomado em Ciências Econômicas e em História Natural. Recebeu a Medalha José Bonifácio de Andrada e Silva da Sociedade Brasileira de Geologia. Entre outros trabalhos, publicou Palentologia do Paraná (1954)

Gláucio Bandeira (1915-1974) – Médico, Gláucio Ferrante da Motta Bandeira e Silva foi presidente do Centro de Letras do Paraná em três mandatos não sucessivos entre os anos 40 e 60 e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. Publicou Recolta de Emoções, América de Relance, Fatos e Documentos e um opúsculo com a biografia de seu pai, o acadêmico da APL Euclides Bandeira.

Glauco Sá Britto (1919-1970) – Gaúcho de Montenegro, Glauco Flores de Sá Britto mudou para Curitiba aos 18 anos. Foi fundador do Teatro Experimental do Guaíra. Autor e diretor teatral, dá nome ao mini-auditório do Teatro Guaíra. Também poeta, publicou O Marinheiro (1947) e Cancioneiro de Amigo (1960).

Graciette Salmon (1903-1986) – Poeta curitibana, possui uma extensa obra iniciada com a publicação de O que Ficou do Sonho (1947) até Ciranda (1982), além de um volume de crônicas. Sobre ela a também poeta Adélia Maria Woellner publicou o ensaio Graciette Salmon – A estrela da Ciranda Sozinha (2003).

Helênico (Francisco Genaro Cardoso) (1914-1992) – Era Helênico nos textos sobre futebol, mas no Colégio Estadual do Paraná,, onde lecionava de literatura brasileira, era o professor Francisco Genaro. Foi diretor do Coritiba, jornalista e radialista, Escreveu A História do Futebol Paranaense, publicada nos anos 1970 pela Grafipar.

Homero Braga (1907-1985) – Curitibano, médico pediatra formado pela Faculdade de Medicina do Paraná, foi membro da Sociedade Brasileira de Genética e presidente da Associação Médica do Paraná e da Sociedade Paranaense de Tisiologia. Foi professor da UFPR durante mais de 30 anos. Publicou obras sobre puericultura e escreveu crônicas para jornais locais.

Idalina Bueno de Magalhães (1916-2012) – Nascida em Castro, formada prela Faculdade de Filosofia de Ponta Grossa, foi professora de português, francês, história e geografia, e jornalista. Fez parte da Academia Paranaense Feminina de Letras e da Academia de Letras dos Campos Gerais. Publicou uma biografia de Manoel Ribas e outras nove obras, entre poemas e narrativas.

Ilnah Secundido (1914-1968) – Advogada, jornalista e poeta, foi uma das pioneiras da emancipação feminina, com a publicação de A Mulher e o Divórcio em 1941. Publicou também três livros de poemas, a partir de Quando o Sol Surge do Oriente (1934). Nasceu em Antonina e faleceu no Rio de Janeiro.

Jamil Snege (1939-2003) – Curitibano, foi escritor, jornalista e publicitário. Conhecido pelo rigor no texto, estreou nas letras com Tempo Sujo (1968). Sempre preferiu editar suas próprias obras, como as impagáveis memórias de Como Eu Se Fiz Por Si Mesmo, em cuja capa brilhava um macaco em frente à máquina de escrever. Deixou diversos livros de crônicas, como Viver é Prejudicial à Saúde, e o livro de poemas O Jardim e a Tempestade.

Jorge Baleeiro de Lacerda (1950-2016) – Nasceu Belém (PA), residiu no Rio de Janeiro e depois fixou-se em Francisco Beltrão. Foi um jornalista voltado a temas culturais, com foco em aspectos brasileiros. Publicou Os Dez Brasis (1988), Os Dez Sudoestes (2010) e deixou inédito Os Dez Sudoestes II, Poranduba Sudoestina.

José Lamartine Corrêa de Oliveira Lyra (1933-1987) – Carioca, formado em Direito pela Universidade do Brasil. Lecionou Direito Civil na UFPR, na Faculdade Católica de Direito e no Mestrado da PUCSP. Publicou obras sobre Direito de Família e sobre a Pessoa Jurídica. Foi presidente do Instituto dos Advogados do Paraná e é considerado um símbolo da luta a favor dos perseguidos por motivos ideológicos.

Júlia da Costa (1844-1911) – Nascida em Paranaguá e radicada em São Francisco do Sul, foi a primeira intelectual paranaense. Poeta e cronista, publicou seus textos em jornais e revistas. Flores Dispersas foi seu único livro, impresso na Ilha do Desterro. Infeliz no casamento, sua poesia tem traços melancólicos. Já viúva, passou seus últimos anos em reclusão.

Júlia Wanderley (1874-1918) – Júlia Augusta de Souza Wanderley Petrich nasceu em Ponta Grossa. Em Curitiba recebeu o diploma de Normalista e tornou-se a primeira mulher nomeada para o magistério no Paraná. Foi assídua colaboradora de jornais e revistas, assinando seus textos, vanguardistas para a época, como Augusta de Souza.

Leonor Castellano (1899-1969) – Curitibana, militante pela representação feminina na vida paranaense, foi a primeira mulher a assumir chefia na Procuradoria Geral do Estado. Entre outras obras, publicou o romance Marysa (1937) e uma história do Centro de Letras do Paraná, do qual foi presidente. Participou de inúmeras entidades culturais.

Lindolpho Gomes Gaya (1921-1985) – Nascido em Itararé (SP), casado com a cantora curitibana Stelinha Egg, foi compositor e arranjador requisitado, decidindo já na maturidade radicar-se em Curitiba com a mulher. Na cidade, trabalhou com jingles e vinhetas para publicidade, além de produtor de discos. O casal doou seu acervo musical para o Museu da Imagem e do Som.

Lysímaco Ferreira da Costa (1883-1941) – Engenheiro e professor, foi Diretor Geral de Ensino no Paraná, bem como Secretário da Fazenda, Indústria e Comércio. Publicou, entre outros, os livros O café e Lembranças que ficam. Sua biografia foi contada por Maria José Franco Ferreira da Costa (irmã dele), na obra A Dimensão de um Homem (1987).

Manoel Carlos Karam (1947-2007) – Natural de Rio do Sul/SC, veio para Curitiba na juventude. Foi dramaturgo e diretor de teatro, além de jornalista e escritor. Publicou diversos livros incensados pela crítica paulista de vanguarda, como Cebola (1997), Comendo Bolacha Maria no Dia de São Nunca (1999) e Sujeito Oculto (2004). Dono de um texto apurado, seus livros foram temperados com pitadas certeiras de ironia.

Maria Nicolas (1899-1988) – Professora, escreveu mais de 20 livros, de poesia, crônica, perfis biográficos, teatro infantil e impressões de viagem, entre os quais Vultos Paranaenses e Alma das Ruas. Também pintora e teatróloga, foi bibliotecária da Assembleia Legislativa e colaborou em diversos jornais e revistas curitibanas.

Marcos Prado (1961-1996) – Curitibano, aos 15 anos já acontecia na cena psychobilly local, ao fundir poesia com música, artes plásticas, teatro e cinema. Em 1996 saiu O Livro de Poemas de Marcos Prado, reunião de seus trabalhos (FFC/Iluminuras). Teve diversos poemas traduzidos para o inglês. Dez anos depois de sua morte, a Travessa dos Editores publicou Ultralyrics, com organização de Felipe Hirch, em 2006.

Mariana Coelho (1857-1954) – Portuguesa de nascimento, foi ativista dos direitos da mulher e contra as injustiças. Publicou O Paraná Mental (1908), A Evolução do Feminismo (1933), Um Brado de Revolta Contra a Morte Violenta (1935) e os contos de Cambiantes (1940), entre outros. Faleceu em Curitiba.

Maurício Távora (1937-1986) – Nascido em Florianópolis, ator, dramaturgo, diretor teatral e redator publicitário. Escreveu dezenas de comédias para o Teatro de Bolso, nos anos 60 – quando também atuou em televisão. Foi diretor-superintendente do Teatro Guaíra. Dirigiu o espetáculo de inauguração do Grande Auditório, Terra de Todas as Gentes. Seu livro de poemas Voavida, foi editado postumamente pela Secretaria de Cultura.

Nair Cravo (1908-1988) – A curitibana Nair Cravo Westphalen foi professora, escritora e médium. Fez parte de diversas entidades culturais curitibanas. Proferiu palestras em Portugal, Angola e Moçambique, Chile e Paraguai. Publicou Cantando os Pinheirais, Folhas ao Vento e Sem que Eu Soubesse, entre outras obras.

Newton Freire-Maia (1918-2003) – Mineiro, de renome internacional, Freire-Maia é considerado ícone do estudo da genética no país, tendo criado o Departamento de Genética da UFPR. Deixou entre obras referenciais, títulos como Criação e Evolução – Deus, o Acaso e a Necessidade e Teoria da Evolução – De Darwin à Teoria Sintética. Publicou cerca de 470 obras bibliográficas.

Newton Sampaio (1913-1938) – Nascido em Tomazina, foi crítico literário e contista. Morreu com 25 anos, na Lapa, vítima de tuberculose. Seus livros são póstumos: Irmandade, que recebeu o Prêmio Contos e Fantasias da Academia Brasileira de Letras (1938), Contos do Sertão Paranaense (1939), as resenhas de Uma Visão Literária dos Anos 30 (1979), assim como a novela Remorso, que saiu apenas em 2011.

Nireu Teixeira (1929-2008) – Curitibano, jornalista e advogado, Nireu José Teixeira foi secretário de redação do Correio do Paraná, na época áurea dos jornais diários. Procurador municipal, exerceu os cargos de Chefe de Gabinete e Secretário de Governo de Jaime Lerner. Conhecido por sua habilidade musical com a caixinha de fósforos, deixou dois livros de crônicas: Espeto Corrido e Espeto Corrido II.

Odilon Negrão (1908-?) – Morretense, poeta futurista, cronista e escritor. Funcionário público em São Paulo, chegou a exercer a função de censor de publicidade na Revolução de 1932. Usava os pseudônimos Íbera Poytan, Gil d’Arrot, Nolido e Dr. Clementinho. Escreveu Poente Sem Sol (1974). Não se conhece a data de seu falecimento.

Oldemar Blasi (1920-2013) – Curitibano, arqueólogo, formou-se em Geografia e História pela UFPR. Nos anos 50 foi um dos fundadores e primeiro diretor (1957/59) do Centro de Pesquisa em Arqueologia da instituição. Ficou conhecido pela atuação no Museu Paranaense, do qual se tornou diretor em 1967. Dedicou-se a pesquisas sobre indícios arqueológicos no Paraná.

Oney Barbosa Borba (1915-2000) – Pontagrossense, era advogado, historiador e cronista. Foi membro do IHGPR, no Centro de Letras do PR e da Academia de Letras dos Campos Gerais. Escreveu obras como Povoadores dos Campos Gerais, O Canhão do Guartelá, Casos e Causos Paranaenses, Os Iapoenses e Telêmaco Mandava Matar, entre outras.

Padre Jesus Santiago Moure (1912-2010) – Nascido no interior de São Paulo, em 1925 veio estudar no Seminário Claretiano em Curitiba. Formado em Filosofia, Matemática, Física e Ciências Naturais. Considerado um dos maiores entomologistas do país, uma autoridade no estudo das abelhas. Participou da criação do SBPC, do CNPq e do Capes. Pertenceu à Academia Brasileira de Ciências.

Paulo Leminski (1944-1989) – Nascido em Curitiba, foi poeta (Não Fosse Isso e Era Menos, Caprichos e Relaxos), mas deixou obras em gêneros diversos, como a prosa revolucionária de Catatau, o romance Agora é que São Elas, e os ensaios de Anseios Crípticos. Mente privilegiada, era tradutor, professor, crítico, letrista e redator publicitário. A antologia Toda Poesia (2013), foi um dos maiores sucessos de vendas da década.

Rachel Prado (1890-1943) – Batizada como Virgília Stella da Silva Cruz, migrou cedo para o Rio de Janeiro, onde construiu extensa vida literária. Escreveu livros de literatura infantil (Apólogos, Arlequim e Carrossel), contos (Contos Fantásticos) e romances como Júlio e Júlia e Mulher da Nova Época.

Reinhard Maack (1892-1969) – Nascido na Alemanha, era engenheiro e geólogo. Chegou ao Paraná em 1923 e tornou-se o primeiro naturalista do estado. Deixou trabalhos sobre paleontologia, geografia, cartografia e biologia. Autor do Mapa Fitogeográfico do Estado do Paraná (1950) e da Geografia Física do Estado Paraná (1968), entre dezenas de outras obras.

Regina Benitez (1934-2006) – Curitibana, jornalista, exerceu a crítica literária. Contista multipremiada, estreou em 1965 com a obra A Moça do Corpo Indiferente. Tem trabalhos editados em Portugal e fez parte da antologia Erkundungen, editada na antiga Alemanha Oriental, com o conto O Mágico. Deixou o livro inédito Mulheres com Avestruz, lançado postumamente.

Renato Muniz Ribas (Reinaldo Egas) – (1933-1989) Nascido na Lapa, fez história na época do jornalismo romântico em Curitiba. Boêmio, aproveitou seu pendor noturno para escrever a coluna Ecos da Noite, publicada no Diário do Paraná sob o pseudônimo de Reinaldo Egas. Suas saborosas crônicas foram reunidas no livro homônimo, Ecos da Noite, de 1982.

Riad Salamuni (1927-2002) – Nascido em Ponta Grossa, geólogo de profissão, foi chefe do Departamento de Geologia da UFPR e presidente da Mineropar. Tricampeão paranaense de xadrez, também militou na política, pelo Partido Socialista. Foi autor de dezenas de trabalhos na sua especialidade sobre o solo paranaense, entre eles Fundamentos Geológicos do Paraná.

Rosy Pinheiro Lima (1914-2002) – Nascida em Paris, iniciou seus estudos na Europa. Aos 19 anos formou-se advogada pela Faculdade de Direito do Paraná. Fundadora do Centro Feminino Paranaense de Cultura, foi deputada estadual constituinte em 1947. Poeta e jornalista, publicou A Vida de Júlia da Costa e o volume de poesia Poeira do Sol, ambos de 1953.

Salvador de Ferrante (1892-1935) – Natural de São José dos Pinhais, filho de italianos, foi ator, cenógrafo, produtor e diretor de teatro, e dramaturgo. Investia no teatro o que recebia como funcionário dos Correios. Morreu dos efeitos de uma picada de aranha, aos 42 anos. Dá nome ao Pequeno Auditório do Teatro Guaíra, inaugurado em 1955.

Sérgio Rubens Sosséla (1942-2003) – Juiz de Direito, foi poeta, crítico, ficcionista, jurista e, quase sempre, editor de seus próprios livros. Entre dezenas de títulos que publicou a partir de 1962, estão Auto(cine)biografia, A Linguagem Prometida, Rosa Maria rosa, O enterro do sol, Da aparência da situação jurídica, A Nova Holanda. Sua obra segue sendo objeto de análise por estudiosos e acadêmicos.

Temístocles Linhares (1905-1993) – Nascido em Curitiba, foi professor de literatura brasileira e hispano-americana da UFPR e crítico literário de prestígio internacional. Lecionou também na Universidade de Coimbra. Entre outras obras, publicou a biografia de Raul Pompeia, escreveu sobre Eça de Queiroz e Nietzsche e é autor da História do Romance Brasileiro, em três volumes.

Teresa Urban (1946-2013) – Jornalista, ambientalista e escritora nascida em Curitiba. Militou na resistência à ditadura militar e foi presa política, após o que se exilou no Chile. Escreveu mais de 20 livros, como 1968 – Ditadura Abaixo, O Livro do Matte, Missão (Quase) Impossível, Rios por Onde Passo e Dez Fitas e um Tornado, sua última obra.

Valêncio Xavier (1933-2008) – Valêncio Xavier Niculitcheff era paulistano. Foi diretor de TV e cronista do Diário do Paraná. Também cineasta, dirigiu a Cinemateca de Curitiba, para a qual realizou o curta Carta a Fellini. Seu livro O mez da gripe (1981) foi saudado como síntese semiótica por autores como Décio Pignatari. Publicou também Maciste no Inferno (1983) e Minha mãe morrendo e o Menino Mentido (2001).

Vieira Netto (1912-1973) – José Rodrigues Vieira Netto era filho de Ulysses Vieira. Foi deputado estadual constituinte em 1947, presidente da OAB Paraná e do IAP, e professor catedrático de Direito Civil da UFPR. Perseguido político, foi preso durante o governo militar. Sua tese O Risco e a Imprevisão saiu em edição póstuma, pelo IAP. Em 2012, a OAB publicou sua biografia, de autoria da filha Cecília Vieira Helm (APL).

Vilanova Artigas (1915-1985) – Arquiteto curitibano radicado em São Paulo, é um dos maiores nomes da escola paulista de arquitetura. Professor da Escola de Arquitetura da USP, chegou a viver exilado no Uruguai. Projetou centenas de obras em mais de 40 anos de carreira. Seu livro Caminhos da Arquitetura foi publicado pela Cosc Naify, em 2004.

Victor Ferreira do Amaral (1862-1953) – Médico, fundador da Universidade do Paraná, deputado e vice-governador do estado. Foi uma das mais importantes figuras da história paranaense, atuando em inúmeras áreas, como médico do Exército e escrevendo obras sobre a questão de limites com Santa Catarina. Coautor da Constituição do Paraná de 1892.

Walmor Marcelino (1930-2009) – Catarinense de Araranguá, socialista, teve forte atuação contra o governo militar. Jornalista, publicou mais de 30 livros, entre ficção, poesia, teatro e artigos de opinião. Fez parte da redação da Última Hora e trabalhou também em assessorias de imprensa. Entre suas obras estacam-se Os Fuzis de 1894 e O Carrasco e sua Sombra.

Walter Branco (1929-2018) – Parnanguara, dono de múltiplos talentos musicais, viveu no Rio de Janeiro, em Cuba, nos Estados Unidos e foi professor na Índia. Arranjador consagrado, tocou com Nat King Cole e Dizzie Gillespie, e fez parte do time de Henry Mancini que compôs A Pantera Cor de Rosa. Elevado a doutor honoris causa da UFPR em 2013.

Wilson Bueno (1949-2010) – Nascido em Jaguapitã, foi repórter, cronista e diretor da melhor fase do jornal Nicolau. Estreou com Boleros (1986) e encantou a crítica com Mar Paraguayo (1992), escrito em portunhol. Publicou ainda os poemas de Pequeno Tratado de Brinquedos e Amar-te a ti nem sei se com Carícias (2004).  Em 2018 o jornalista e conterrâneo Luiz Manfredini publicou sua biografia, A Pulsão pela Escrita.

Wilson Rio Apa (1925-2016) – De São Paulo, formou-se em Direito pela UFPR. Viajou o mundo como marinheiro e depois radicou-se em Antonina, onde dirigiu uma cooperativa de pescadores e organizou uma comunidade artística. Publicou mais de 30 obras, entre elas romances como A Revolução dos Homens e Das Profundezas à Superfície. A partir do fim dos anos 70, passou a viver em Florianópolis, onde faleceu.

Zilda Arns (1934-2010) – Nascida em Forquilhinha (SC), formada em Medicina pela UFPR, criou a Pastoral da Criança, que a tornou conhecida mundialmente. Entre os prêmios que recebeu, destacam-se o Opus Prize (EUA) e o de Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS). Cidadã Honorária de 11 estados brasileiros e Doutor honoris causa de cinco universidades no país. Sua vida já mereceu duas biografias, escritas por sua irmã, Otília Arns, e por Ernesto Rodrigues.

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Grandes personalidades da vida cultural e política brasileira viveram no Paraná, embora não possam ser tidas como radicadas no estado. Eis alguns, já falecidos:

Heitor Villa-Lobos – Viveu algum tempo em Paranaguá. Em abril de 1908, enquanto vivia ali, chegou a reger um concerto à frente da orquestra de câmera Estudantina Paranaguaense. Não se sabe quanto tempo durou a aventura do compositor no litoral do Paraná, antes de retornar ao Rio de Janeiro.

Jânio Quadros – O ex-presidente da República estudou no atual Colégio Conselheiro Zacarias e, depois, no atual Colégio Estadual do Paraná, vindo do Mato Grosso onde nasceu. Foi eleito Deputado Federal pelo Paraná, em 1958, embora estivesse vivendo há muitos anos em São Paulo. Publicou obras sobre a língua portuguesa, história e ficção.

Eliezer Batista – Natural de MG, estudou engenharia na UFPR, onde se formou. Com 35 anos, foi o mais jovem presidente da Vale do Rio Doce, companhia estatal na época. Ministro de Minas e Energia do governo Goulart, foi Secretário de Assuntos Estratégicos do governo Collor. Foi o autor da ideia do projeto de Carajás, à época visto como megalomania.

João Saldanha – De família gaúcha de Alegrete, seu pai veio para Curitiba na década de 1930. Torcedor do Atlético, manteve sempre relação próxima com a cidade, onde tinha muitos amigos. Membro do Partido Comunista, também orientou os militantes do partido durante a Revolta de Porecatu, em 1953. Escreveu um clássico da literatura esportiva, Os Subterrênos do Futebol.

José Paulo Paes – Paulistano, poeta, tradutor, também viveu em Curitiba à época de estudante universitário. Teve seu nome incluído entre os 85 cronistas paranaenses que constam da antologia O Tempo Visto Daqui, editado pela BPP, para a qual escreveu a referida crônica, contando sua vivência curitibana.

Décio Pignatari – Poeta, foi um dos criadores do concretismo, ao lado dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos. Professor, ensaísta e tradutor paulista, viveu em Curitiba a partir dos anos 2000, como professor universitário. Já doente de Alzheimer, sua família o levou de volta para São Paulo em 2011, um ano antes de seu falecimento.